terça-feira, 29 de outubro de 2013


Professores e escolas que não ensinam

Aqui no Brasil os alunos não são ensinados, são adestrados! E isto vem se arrastando há décadas, desde que as instituições de ensino passaram a se preocupar em preparar seus alunos apenas para o vestibular e o ENEM e não para vida, como deveria ser.
Há muito que virou certeza no imaginário do brasileiro que só cursando faculdade é possível ter-se uma melhor qualidade de vida e sucesso profissional. Dessa forma, ingressar numa faculdade, de preferência pública, acabou virando o objetivo de quase todos os alunos que almejam alcançar algo em sua existência.
Assim, deixou-se de investir na capacidade de raciocinar dos alunos ou desenvolver-lhes suas devidas aptidões, para um verdadeiro fast-food educacional, visando meramente resolver questões de provas. O aprender a pensar tornou-se um objetivo menor.
Acusa-se os governos militares pela destruição do ensino público de qualidade, mas há quase três décadas eles não estão mais no poder e nada melhorou, muito pelo contrário. A mediocridade do ensino, seja público ou privado, aumenta a cada ano, com as bênçãos dos atuais governos civis, em sua essência corruptos, financeira e ideologicamente.
Sei que muitos professores lutam para que isto mude, mas o sistema que lhes é imposto não permite. Dessa forma, eles “ensinam” sabendo que não estão ensinando, e os alunos “aprendem” acreditando que estão aprendendo. O que nós temos são salas de aula vazias de ensino e aprendizagem de qualidade. É um processo nefasto, que impede que nossos jovens tenham uma plena percepção do mundo e não os deixe preparados para a vida futura. Estamos formando pessoas vazias de saberes, que sabem apenas o essencial para cumprirem medíocres atividades laborais, sem ter a ciência do porquê de suas atividades. É como jogar uma bolinha para um cão pegar: ele pega e traz para dono, mas não sai disso. Repete a mesma atividade, que se torna mecânica, mas que não o faz deixar de ser o que é.
Lamento muito que muitos professores estejam acomodados neste formato que aí está. Não é raro aquele professor que, antecedendo uma prova, ministra aos alunos um questionário de vinte perguntas, das quais cinco ou dez cairão na prova.
Logicamente que nem toda instituição de ensino no Brasil é assim. Em algumas raríssimas exceções, os professores podem de fato ensinar e os alunos aprender, verdadeiramente, a pensar. Quando será que no Brasil teremos estas ótimas escolas para todos os nossos alunos? Quando?

*Wilson de Oliveira é mineiro de Cataguases e divide sua vida entre Minas Gerais e Rio de Janeiro.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

SERVIDORES DA EDUCAÇÃO PARTICIPAM DE COMEMORAÇÃO EM AFOGADOS

Com o objetivo de comemorar o Dia do Professor e Dia do Servidor Público, ambos registrados neste mês de outubro,   a Prefeitura de Afogados da Ingazeira promoverá nesta sexta-feira o Forró dos Servidores da Educação.  A comemoração ocorrerá na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), a partir das 10 horas.

Fonte: Blog do Nill Júnior

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Professores: desistam dessa profissão!



Todo mundo já sabe que os professores, em todo o país, ganham muito mal, apesar de serem os profissionais mais importantes de uma sociedade. Todo mundo sabe que o único profissional que no Japão não precisa se curvar diante do imperador é o professor. Todo mundo já sabe que nossas escolas públicas não têm recursos ou estão, muitas delas, em péssimo estado de conservação. Todo mundo já sabe de tudo sobre os professores. O mais triste, é que todo mundo já sabe que nossos políticos detestam os professores e o que eles significam: a lucidez do povo, mas ninguém faz nada! O povo não luta pelos professores e/ou pelo ensino. O povo luta contra aumento de passagem, pede o fim da corrupção e até diz que luta em favor do ensino, mas na prática não faz nada! Provo isto porque nunca vi alguém sair de sua casa, não sendo aluno ou professor, para ir a uma manifestação, exigir que os professores tenham salários dignos e plenas condições de trabalho.
Lamento muito no que a profissão de professor se transformou. Para boa parte da sociedade, professor, hoje, é profissão de pobre. Pais de classe média querem que seus filhos sejam tudo na vida, menos professores, já que desejam um futuro de conforto, prosperidade e realização para seus filhos, e entendem que isto será impossível de se atingir sendo professores. Já os políticos, principalmente prefeitos e governadores, consideram todos os professores “comunistas chatos” que reclamam o tempo todo. No entanto, esquecem que sua limitada visão da realidade (por só ficarem em gabinetes) e ilimitada ganância fizeram com que o ensino não pudesse ser bom. Um povo instruído sabe que é preterido pela classe política e não acreditaria em praticamente nada do que lhes é prometido em tempos de eleição. Um povo instruído se negaria a votar em urnas eletrônicas que só os TREs e o TSE consideram, no mundo inteiro, um processo seguro e impossível de ser fraudado.
O Brasil vive numa séria encruzilhada. Sabemos que nossa classe política está destruindo o que falta do ensino público, já que desejam se perpetuar no poder. Um povo sem instrução jamais entenderá o que é um embargo infringente e nem que os principais nomes do Mensalão poderão escapar da cadeia. Já o “pobre miserável”, quando levado à Justiça, é condenado em primeira instância e apodrece na cadeia por não saber que têm direito a recorrer, por exemplo. Este pobre, nos tempos de escola, nunca aprendeu nada sobre cidadania porque não tinha professor que o ensinasse. Entendendo o que o nosso país precisa, temos a consciência de que teremos que lutar sozinhos, sem os governos, que se mostram inimigos do povo e não “pelo povo e para o povo”. A sociedade é que terá que se organizar para se instruir, com o cuidado de que politiqueiros baratos não tentem se aproveitar das iniciativas. Que é uma proposta utópica, eu sei. Mas não se idealiza um país sem propostas utópicas, porque sempre desejamos o máximo, e não o meio termo daquilo que é possível.
O que aconteceu no Rio de Janeiro de professores, em legítima manifestação contra ditames insanos do prefeito, serem espancados por tropas da Polícia Militar a mando de governos com várias e sérias denúncias de corrupção e má gestão da coisa pública, foi um exemplo de barbárie política e social sem precedentes em nossa história recente. É curioso como governadores e prefeitos alegam que não há verba para equipar escolas ou remunerar dignamente os professores, mas há verbas em abundância para equipar forças de repressão policial e usar esta verba para esmagar aqueles que de fato alicerçam uma nação. É assim que os governos brasileiros entendem o ensino, como digno de ser espancado!
Em alguns estados e municípios a evasão de professores públicos é imensa. Professores optam por sobreviver e/ou não mais se frustrarem profissionalmente e ou desistem das salas de aula ou migram para o ensino privado, que é inviável para a grande parte da população. Não que o ensino privado seja excelente em seu todo, mas ainda é uma possibilidade de melhoria de trabalho para aqueles que nele ingressam. Devemos também entender que a opção de um modelo baseado em apenas haver ensino de qualidade na rede privada tem consequências absurdamente sérias para a estrutura social do país. É a perpetuação e a concentração do poder de análise (e do próprio conhecimento formal) nas mãos de poucos, o que impede qualquer alteração do status quo político, econômico e social do país. É como manter uma escravidão camuflada, onde o pobre sem condições de questionar, assim permanecerá por toda a vida. Assim, não se muda um país.
Eu não quero que aconteça de ninguém desistir de ser professor. Eu quero é que todos sejam professores. Uns serão professores de História, Geografia ou Matemática. Outros serão de civismo ou “amor ao próximo”. Uns estudarão formalmente para exercer seu ofício, outros viverão plenamente para aprender como exercer sua cidadania. Todos seremos professores. E quando todos formos professores na vida, aí sim teremos um grande país. Até lá, só temos uma piada ou um projeto, como queiram chamar.
É óbvio que quem deseja e pode alterar alguma coisa e ameaçar todo um projeto de poder, será visto como uma ameaça. É óbvio que nossos dominantes políticos não querem que professores atuem com qualidade e eficiência. É obvio que eles querem que todos desistam. Para nossos governantes, a ordem que deveria ser dada é “Professores, desistam dessa profissão!”. Para nós, que somos o povo, o pedido que fazemos é “Professores, não desistam do país!”.

*Alessandro Lyra Braga é carioca, por engano. De formação é historiador e publicitário, radialista por acidente e jornalista por necessidade de informação. Vive vários dilemas religiosos, filosóficos e sociológicos. Ama o questionamento. 

http://www.debatesculturais.com.br/professores-desistam-dessa-profissao/

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Educação no Brasil: Ônibus escolares rodam em péssimas condições no interior do Paraná

Lataria aos pedaços, pneus carecas e bancos sem assentos são problemas. Um dos veículos deixou de circular após acidente que causou uma morte.

 

A situação do transporte escolar pelo país muitas vezes é dramática. Os ônibus escolares que rodam todos os dias levando crianças em uma cidade do interior do Paraná parecem imagens de filme de terror.
A lataria aos pedaços e os bancos sem assentos são de ônibus que transportam estudantes em Palmital, interior do Paraná.
"O outro ônibus nem a porta dele presta, está todo estragado", contou uma estudante.
Sete ônibus em condições parecidas foram tirados recentemente das ruas.
Um dos ônibus deixou de transportar alunos depois de um acidente. O motorista perdeu o controle da direção e bateu em uma pedra. Ele diz que o acidente aconteceu porque um dos pneus que estava careca teria estourado e o ônibus saiu da pista.
Um homem que pegava carona foi lançado para fora e não resistiu aos ferimentos.
"Tinha bastante criança pequena no ônibus. Ver aquela cena assustou muito", disse uma aluna.
O responsável pelo transporte diz que o caso foi uma exceção e que embora os ônibus estejam velhos, a manutenção está em dia. A prefeitura reconhece que metade da frota já deveria estar aposentada, mas diz não ter dinheiro nem para terceirizar o serviço.
“Cidade pequena, orçamento baixo. Então, se você for terceirizar, tem que trabalhar só para pagar terceirização”, justificou o secretário municipal Rodoviário, Antônio Carlos Halila.
“Só Deus mesmo pra ajudar a gente nessa hora”, disse um motorista.
A prefeitura de Palmital disse que deve receber, até o fim do ano, sete ônibus escolares do governo federal, o que vai permitir a troca dos veículos em piores condições.