sábado, 15 de outubro de 2011

Ex-gari vira professor da rede pública e sonha ser mestre em universidade

João Ailton, 33 anos, dá aulas de português em escola pública de Diadema.
Ele resume o Dia do professor em uma frase: 'Ensinar é gratificante'.

O menino que aos 12 anos ensinou o tio semianalfabeto a escrever o nome para preencher uma ficha de emprego já mostrava o talento para ensinar. Seguiu a intuição, entrou na faculdade de letras e para pagá-la aos 22 anos trabalhou como gari, varrendo as ruas de Diadema, no ABC, por mais de um ano. João Ailton de Oliveira Santos, de 33 anos, atua na rede pública do Estado de São Paulo e compõe o corpo docente da Escola Estadual José Fernando Abbud, em Diadema.


Neste sábado (15), Dia do Professor, diz que valeu a pena o esforço, que ensinar é gratificante, mas espera que a carreira seja mais valorizada. "Gosto de ser professor, é sensacional. Mas a profissão está um pouco difícil com salas superlotadas, falta de equipamento e salários baixos. O que compensa é o carinho dos alunos", diz.

Santos dá aulas de português em turmas da quinta série, sétima série e do primeiro ano do ensino médio. Prefere os alunos dos anos iniciais por achar que eles se dedicam e demonstram mais afeto. Recentemente foi aprovado no concurso público da rede municipal de São Paulo e no próximo ano, se for convocado, pretende conciliar os dois empregos, em São Paulo e em Diadema, com um mestrado. A meta é lecionar em universidades.
'Trabalhador fantasma'
O emprego como gari foi sugestão de seu pai que conhecia o gerente da empresa. Santos não teve dúvidas em aceitar, passou por uma entrevista e logo foi para o batente. O salário era de cerca de R$ 400 mensais, o suficiente para pagar a mensalidade.
"Nos primeiros dias foi um choque porque era um trabalho pesado e braçal que nunca tinha feito. Trabalhava um domingo sim e outro não. Era a pior parte porque neste dia fazíamos a coleta das feiras."
Gari é um trabalhador fantasma, alguém invisível. A pessoa está do seu lado, joga um papel no chão e nem olha para você"
João Ailton de Oliveira Santos, professor
À noite, na faculdade só os amigos mais próximos sabiam do ofício de Santos. "Não falava muito porque sabia que haveria discriminação. Gari é um trabalhador fantasma, alguém invisível. A pessoa está do seu lado, joga um papel no chão e nem olha para você."
Santos não se envergonha da experiência e diz que nesta época aprendeu a ser perseverante, como um professor tem de ser. "A rotina era cansativa, mas não pensava em desistir. Sempre tive incentivo dos meus pais mas sabia que valia a pena batalhar por um objetivo." O professor lembra que os colegas garis diziam que ele aguentaria no máximo dois meses de trabalho e que depois de superar a expectativa e conseguir se manter no cargo, virou exemplo.
O professor só deixou as vassouras quando conseguiu um estágio em um colégio no Jabaquara, Zona Sul de São Paulo, onde estudou. De estagiário, passou a professor eventual - que cobre faltas dos docentes titulares - até ser aprovado em um concurso, em 2004, e seguir para a escola José Fernando Abbud, onde está até hoje.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

História - Quem chegou primeiro?

Afinal, quem chegou primeiro ao Brasil: o português Pedro Álvares Cabral ou o espanhol Vincente Pinzón? O descobrimento do Brasil é o assunto da reportagem de história do Projeto Educação nesta sexta-feira (15), com o professor Paulo Chaves.

No Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, a cena se repete nos dias atuais: navios imensos sobre o mar transportando mercadoria de um continente para outro. No fim do século 15, essa era impossível imaginar a situação. O oceano Atlântico era considerado um perigoso mistério, chamado também de “Mar Tenebroso” – mas foi vencido por homens que se lançaram na aventura das grandes navegações.

O professor Paulo Chaves explica que o homem europeu, durante a Idade Média, tinha um conhecimento muito limitado da geopolítica mundial. “Ele conhecia naturalmente o norte da África, parte do Oriente, mas não conhecia, por exemplo, a América e tampouco a Oceania”, contextualiza. A inserção desses novos mundos trouxe naturalmente uma movimentação cultural muito intensa. “Além de, obviamente, os europeus passarem a ter acesso a outros produtos que até então desconheciam, como tabaco e cacau, que são tipicamente americanos”.

O chamado eixo do mundo é transferido: sai do Mediterrâneo para o Atlântico, tornando, inclusive, as atividades comerciais não mais ligadas exclusivamente à Europa e ao Oriente, mas transformando a economia em uma atividade de caráter mundial.

Quem chegou primeiro?

A versão mais conhecida por todos defende que o primeiro europeu a tocar no Brasil, pelo território da Bahia, foi o português Pedro Álvares Cabral, em abril de 1500. Só que novas pesquisas hoje apontam que, na realidade, em janeiro de 1500, um navegador chamado Vincente Pinzon e seu contra-almirante Diego de Lepe estiveram no Brasil. “Três meses, aproximadamente, antes de Cabral ele teria tocado nessa região conhecida hoje como Cabo de santo Agostinho e batizado a região de Santa Maria de la Constelación”, conta o professor.

Nessa época, segundo Chaves, a Espanha estava engessada, impossibilitada de revelar essa descoberta com o orçamento que tinha. “Até porque o objetivo de Pinzón era chegar ao rio Amazonas, como de fato aconteceria. Ele sai daqui e segue direto para o rio Amazonas, onde realizará uma primeira exposição sobre a região. Mas a Espanha estava impedida de revelar a chegada de Pinzón a esse território justamente pelo Tratado de Tordesilhas, já que esse território era área do domínio português”, explica.

Em 1501, durante o período pre-colonial, a primeira expedição oficialmente enviada ao Brasil veio sob o comando do navegador Gaspar de Lemos, que também havia estado em 1500 com Cabral no Brasil. E ao navegar pelas costas brasileiras, batizando-as de costa Pau Brasil, ele batiza oficialmente essa região oficialmente com o nome de Cabo de Santo Agostinho.



terça-feira, 11 de outubro de 2011

O que diz a lei do piso do magistério


Esse é o verdadeiro tratamento que as autoridades brasileiras dão aos educadores brasileiros

'Fui atingido por um cassetete', diz professor ferido na Assembleia do CE


Professor diz ter sido atingido durante choque entre a categoria e policiais.

O professor atingido na cabeça durante as manifestações na Assembleia Legislativa do Ceará na tarde desta quinta-feira, quando os grevistas tentaram invadir o plenário para impedir os deputados de aprovarem a lei do piso salarial proposta pelo Governo do Estado, diz Arivaldo Freitas, que foi “pressionado contra a parede” e acertado por um cassetete. “A manifestação já estava controlada, muitos manifestantes já tinham desistido quando eu fui acertado”, diz o Arivalto.

O Batalhão de Choque da Polícia Militar diz que paus e outros objetos jogados pelos manifestantes geraram o ferimento. Mesmo com as manifestações, a lei foi aprovada em regime de urgência e determina um salário de R$ 1.187,00.

Professor ferido estava acampado na Assembleia

Freitas é professor de matemática em estado probatório, aprovado no último concurso do Estado. Ele diz que estava no comando de greve “dando apoio” e participava do acampamento na Assembleia que começou na tarde de quarta-feira (28).



segunda-feira, 10 de outubro de 2011

principais motivos dos afastamentos da sala de aula ( 2011)

Número de professores da educação básica (dados de 2009)

Haddad volta a defender Enem como substituto do vestibular

A menos de duas semanas da aplicação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), o ministro da Educação, Fernando Haddad, voltou a defender o teste como a forma mais moderna de avaliação do desempenho dos alunos. Segundo ele, registros de problemas são comuns em diversos lugares do mundo, já que se trata de uma prova com "escala monumental".


Haddad disse que a substituição do vestibular pelo Enem é fundamental para garantir a implementação prática da reforma do ensino médio no país. "É preciso acabar com o vestibular, que é um grande mal que se fez à educação brasileira, porque você não organiza o ensino médio com cada instituição fazendo um programa de vestibular diferente", disse.
O ministro da Educação participou nesta segunda-feira de um seminário sobre os desafios da educação básica no país, promovido pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas, da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio.

Ele citou a China e a Inglaterra como países que também tiveram problemas na aplicação de exames equivalentes ao Enem. Na China, 62 pessoas foram presas por cola eletrônica e na Inglaterra foi registrado número recorde de itens cancelados porque não tinham resposta correta. "Não estou dizendo que vai acontecer alguma coisa [no Enem deste ano], mas é um grande programa fazer uma prova em um fim de semana para 5 milhões de pessoas", ressaltou, destacando que o ministério está "somando inteligência ao processo, a cada edição".

Haddad também voltou a garantir que a greve dos funcionários dos Correios não vai afetar a realização das provas. "Estamos em contato permanente com a direção dos Correios desde o início do movimento. A garantia que se tem é que está tendo uma operação especializada e dedicada à distribuição das provas e cartões", enfatizou.

O ministro reiterou sua posição favorável às aulas em tempo integral para o ensino médio nas escolas públicas, conforme previsto no Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), que está sendo avaliado no Senado. "Vamos ter que oferecer segundo turno com outras perspectivas de desenvolvimento cognitivo. A ideia é ter uma matriz de conteúdo um pouco mais enxuta no primeiro turno, para que o professor possa aprofundar mais as aulas, e um segundo turno que abra possibilidade de conteúdos profissionalizantes, de cultura, inclusão digital, entre outros", explicou.
Segundo ministro, o governo já implementou esse projeto, em caráter experimental, em 600 escolas e a expectativa é ampliar o programa nos próximos anos. "Vamos começar com mais força em 2012. Queremos avançar para oferecer um ensino médio mais coerente com as expectativas dos estudantes", disse.

O ministro informou, ainda, que o governo não decidiu como será a ampliação da carga horária mínima das redes de ensino, proposta pela pasta. Atualmente, os alunos cumprem jornada de 800 horas distribuídas em 200 dias. Haddad disse que a mudança só será definida após todas as entidades convidadas pelo MEC opinarem sobre o assunto. Ele ressaltou, no entanto, que a maioria dos educadores e gestores que já se manifestaram prefere que haja ampliação na carga horária diária e não no número de dias letivos.
A alternativa, que a princípio poderia prejudicar as escolas com horário noturno, porque teriam dificuldade de se organizar para oferecer cinco horas de aula, torna-se viável com a implementação de atividades à distância, de acordo com o ministro. "Como o [horário] noturno está bastante concentrado no ensino médio e a resolução do Conselho Nacional de Educação, a ser homologada, prevê 20% da carga horária em atividades semipresenciais, as pessoas estão enxergando nisso uma alternativa de resolver o problema", explicou.