terça-feira, 26 de junho de 2012

Comissão do Plano Nacional de aprova 10% do PIB para a educação

Texto precisa ser aprovado no Senado; atualmente país aplica 5% do PIB.MEC diz que novo índice vai exigir uma 'tarefa política difícil'.

A comissão especial do Plano Nacional de Educação (PNE) aprovou na noite desta terça-feira (26), na Câmara dos Deputados, a aplicação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em políticas de educação ao longo de dez anos, ou seja, até 2020 quando termina a vigência do plano.

A proposta aprovada diz ainda que até chegar aos 10%, a aplicação deve ser no mínimo de 7% do PIB. Hoje o país aplica 5,1% do PIB no setor, incluindo recursos da União, dos estados e municípios. Para vigorar, o texto ainda precisa ser aprovado pelo Senado

Em nota, o Ministério da Educação afirma que para se chegar aos 10% do PIB será necessário uma "tarefa política difícil". Segundo a nota, a proposta aprovada pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa o PNE equivale, na prática, ao longo da década, a dobrar em termos reais os recursos para a educação nos orçamentos das prefeituras, dos governos estaduais e do governo federal.

“Em termos de governo federal equivale a colocar um MEC dentro do MEC, ou seja, tirar R$ 85 bilhões de outros ministérios para a Educação. É uma tarefa política difícil de ser executada”, explicou o ministro Aloizio Mercadante.

O Ministério da Educação vai estudar as repercussões e as implicações da decisão e vai aguardar ainda a tramitação no Senado Federal.

Salários dos professores

Ainda nesta terça foi aprovada a meta de equiparação do salário dos professores ao rendimento dos profissionais de escolaridade equivalente. O relatório do deputado Angelo Vanhoni (PT) previa a equiparação até o final da vigência do plano, que é de dez anos. A proposta, no entanto, estabelece a equiparação até o final do sexto ano do PNE.

O Plano Nacional de Educação está em análise na Câmara desde o final de 2010 e define diretrizes para a educação brasileira na próxima década, por meio de 20 metas. Elaborado a partir de 2.906 emendas apresentadas por parlamentares e entidades da sociedade civil, o relatório foi feito a partir do projeto de lei feito pelo Ministério da Educação e enviado ao Congresso pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro de 2010.

G1.

Comissão do PNE aprova destaque que garante melhores salários a professores

Deputados votam nesta terça destaques do programa que estabelece diretrizes para a educação no País


A Comissão Especial do Plano Nacional de Educação aprovou na tarde desta terça-feira, 26, o destaque dos deputados Biffi (PT-MS) e Fátima Bezerra (PT-RN) que antecipa a meta de equiparação do salário dos professores ao rendimento dos profissionais de escolaridade equivalente. O relatório do deputado Angelo Vanhoni (PT-PR) previa a equiparação até o final da vigência do plano, que é de dez anos. O destaque, por sua vez, estabelece a equiparação até o final do sexto ano do PNE.

“Temos de evitar o abandono das salas de aulas por profissionais competentes. Uma remuneração justa para o magistério é condição básica para a melhoria do ensino”, justificou Biffi. Fátima Bezerra complementou: “É notório como os salários da rede pública do País estão defasados. Os professores têm hoje a profissão mais desvalorizada do País”. O relator, Vanhoni, concordou com o destaque.

Seis deputados retiraram a maioria de seus destaques ao texto-base do PNE para garantir a votação dos destaques à meta 20 do plano, que trata do percentual do Produto Interno Bruto (PIB) a ser investido no setor até o final da década. O texto do deputado Angelo Vanhoni (PT-PR) prevê o investimento de 8% do PIB no setor, mas alguns parlamentares e representantes de entidades da sociedade civil pedem pelo menos 10%.

Estes foram os deputados que retiraram parte de seus destaques que tratam das metas 1 a 19: Eduardo Barbosa (PSDB-MG); Rogério Marinho (PSDB-RN); Stepan Nercessian (PPS-RJ); Izalci (PR-DF); Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO); e Nelson Marchezan Junior (PSDB-RS).

Destaques rejeitados

Durante a reunião, a comissão rejeitou um destaque do PSDB, que previa, até 2016, a alfabetização de todas as crianças até o segundo ano do ensino fundamental. A partir de 2017, a alfabetização deveria ser concluída até o primeiro ano do ensino fundamental. Pelo texto de Vanhoni, a alfabetização será obrigatória somente até o fim do terceiro ano dessa etapa do ensino.

O deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) justificou a proposta do partido: “Estamos com um sério problema de defasagem do ensino que é decorrência da falta da alfabetização na idade correta. Não é possível que os filhos dos ricos sejam alfabetizados com seis anos, enquanto os filhos de quem não tem renda só saiba ler e escrever a partir dos oito anos”.

Vanhoni defendeu seu texto: “A forma como consta é a melhor para o sistema nacional de ensino. Uma criança de seis anos tem, sim, condições fisiológicas de se alfabetizar em um ano. Contudo, temos de levar em conta o meio de onde veio a criança, se os pais estudaram e oferecem acesso à cultura”.

Paulo Rubem Santiago (PDT-PE) também teve seu destaque rejeitado. O documento estabelecia a implementação de um sistema nacional de gestão democrática. “O baixo desempenho dos indicadores educacionais e o empobrecimento da capacidade da escola em construir seu projeto pedagógico são decorrência da falta desse sistema”, justificou. De acordo com o destaque, seriam realizadas conferências de educação a cada quatro anos para avaliar o ensino no País e propor políticas para o setor. Além disso, União, estados, DF e municípios contariam, cada um, com um conselho de educação, órgão colegiado composto por representantes do governo e de entidades privadas e por profissionais do setor, estudantes e pais.

Para Vanhoni, no entanto, a proposta do PNE já prevê o princípio de gestão democrática da educação. Segundo a última versão do relatório, estados, DF e municípios terão um ano após a aprovação do plano para aprovar leis específicas que disciplinem a gestão democrática em cada ente.

Fonte: Estadão.com

quarta-feira, 20 de junho de 2012

O que é sustentabilidade?


Sustentabilidade é um conceito sistêmico, relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana.

Propõe-se a ser um meio de configurar a civilização e atividade humanas, de tal forma que a sociedade, os seus membros e as suas economias possam preencher as suas necessidades e expressar o seu maior potencial no presente, e ao mesmo tempo preservar a biodiversidade e os ecossistemas naturais, planejando e agindo de forma a atingir pró-eficiência na manutenção indefinida desses ideais.

A sustentabilidade abrange vários níveis de organização, desde a vizinhança local até o planeta inteiro.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Basta educação para economizar 30% de água e 50% de energia nas cidades, diz ONU

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) estima que economias na ordem de 30% de água e 50% de energia podem ser obtidas praticamente sem investimento algum. O "incentivo às mudanças de comportamento”, diz a entidade, é suficiente para alcançar a maior parte destes objetivos.


Inscrições para o Sisu começam nesta segunda-feira

domingo, 17 de junho de 2012

Ciências: Seres vivos e não vivos



"A água é um ser vivo, professora?" A questão, que intrigou uma turma de EJA, induziu a uma série de estudos. Os alunos descobriram que a resposta é "não".

No início de um estudo sobre os seres vivos, a professora Patrícia Mandaglio, do Centro Municipal de Programas Educacionais (Cempre) Doutora Ruth Cardoso, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, propôs aos alunos do 6º ano da Educação de Jovens e Adultos (EJA) um debate sobre as coisas vivas e as não vivas presentes no entorno da escola. Nesse momento, eles elaboraram uma hipótese: a água poderia ser um ser vivo.

Os estudantes, com média de idade de 45 anos, embasaram sua conclusão associando as propriedades desse elemento às de alguns alimentos. "A alface brota, é colhida e depois nos serve de alimento. A carne vem de um animal. Assim, os alunos concluíram que a água, assim como alguns alimentos, é viva, pois nos sustenta", afirma Patrícia. Além disso, ela serve de habitat para animais e plantas, o que reforçava a ideia inicial.

Outro fator pode fundamentar o argumento: a associação com a expressão rio morto - um curso d’água que, devido ao baixo nível de oxigênio e à alta concentração de poluentes, não oferece condições à vida. A classificação de outros elementos, como a terra e o ar, também despertava dúvidas. "Não é fácil definir vida, já que os componentes bióticos e abióticos interagem entre si", diz Antonio Carlos Pavão, docente da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e diretor do Espaço Ciência, em Recife.

Problematizar as dúvidas e as hipóteses iniciais

Durante um trabalho desse tipo, o ideal é considerar os comentários da turma e a lógica que há por trás deles para, então, sugerir um estudo que questione a primeira conclusão. Foi o que fez Patrícia ao identificar as hipóteses e os questionamentos dos estudantes. Em seguida, pediu que pensassem sobre o que tinha sido discutido e trouxessem exemplos para a aula seguinte. De volta à classe, todos categorizaram os exemplos em uma tabela no quadro-negro.

O próximo passo foi estudar as caraterísticas dos seres vivos: a organização celular, a interação com outros seres, a necessidade de se alimentar, a capacidade de se reproduzir e o ciclo vital - nascimento, crescimento, reprodução, envelhecimento e morte.

Depois dessa etapa, a turma concluiu que a água, assim como a terra e o ar, não tinha as características de um ser vivo, revendo alguns itens da tabela. À medida que os alunos adquiriam novos conhecimentos, Patrícia passava a usar termos técnicos. "Expliquei que componente biótico corresponde a todo elemento vivo, e componente abiótico, aos não vivos. Eles rapidamente incorporaram o novo vocabulário", relata. Um novo quadro foi construído. As informações foram utilizadas para estabelecer relações de interdependência entre os elementos envolvidos. "Surgiram algumas observações interessantes: o vegetal que compramos no mercado, que faz a fotossíntese, alimenta inúmeros seres vivos, inclusive o homem. A madeira do forro das casas veio de uma árvore, que também é um ser vivo. E todos dependem dos nutrientes na terra para sobreviver", relata Patrícia.

Com base nas descobertas coletivas, é possível propor a investigação de casos específicos. Pode-se observar o desenvolvimento de uma planta, por exemplo, sugerindo que os alunos pensem em como ela cresceu. "É importante dialogar sobre as observações, fazer leituras complementares, discutir as ideias levantadas e concluir com uma resposta à dúvida", destaca Carolina Luvizoto, formadora de professores do Instituto Sangari, em São Paulo. A especialista chama a atenção para a sistematização de todo conteúdo trabalhado, que pode ser feita de forma individual ou coletiva.

Assim, todos entendem as inter-relações entre os diversos elementos da natureza e se tornam capazes de articular conhecimentos, formulando, reformulando e validando hipóteses.

Fonte: NOVA escola

sábado, 16 de junho de 2012

Plataformas online são tendência no ensino em países estrangeiros

É possível que, no futuro, escolas e universidades sejam deslocadas para uma grande sala de aula na web? O investimento de prestigiadas universidades americanas no sistema de ensino a distância aponta que o método está ganhando cada vez mais espaço no meio acadêmico. Recentemente, gigantes do ensino superior nos Estados Unidos têm aprimorado iniciativas que remontam a projetos como a Khan Academy, site criado em 2006 que disponibiliza videoaulas educativas gratuitamente.

Hoje, mesmo quem não está matriculado em grandes centros universitários tem acesso ao conteúdo das aulas presenciais e pode participar de fóruns online, interagindo com outros estudantes e com professores, a custo zero. A proposta interativa é a base de novas plataformas como o edX, uma parceria entre a Universidade de Harvard, o Massachussetts Institute of Technology (MIT) e o Coursera, do qual participam cinco universidades americanas.

Oferecendo cursos de centros como Princeton e a Universidade da Califórnia em Berkeley, o Coursera teve início no segundo semestre de 2011, quando o departamento de Ciências da Computação da Universidade de Stanford lançou sua plataforma de ensino online. O oferecimento gratuito de apenas dois cursos da instituição levou cerca de 200 mil estudantes do mundo todo a se inscreverem. Segundo Daphne Koller e Andrew Ng, fundadores do Coursera, foi possível perceber no grupo o desejo por experiências educacionais acessíveis e de qualidade e que pudessem capacitar as pessoas a melhorar suas vidas e a de suas comunidades.

A partir de então, o interesse dos estudantes decolou, e foram adicionados novos cursos, que vão desde algoritmos até mitologia grega e romana, oferecidos também por outras instituições conceituadas. Segundo os fundadores, a proposta do Coursera foi muito bem recebida por grandes universidades. O projeto conta com um investimento de US$ 16 milhões (aproximadamente R$ 32 milhões) de empresas do Vale do Silício.

Os cursos oferecidos no site consistem em videoaulas de dez a 15 minutos, disponibilizadas aos poucos (o calendário com as datas de lançamento das aulas está disponível na página de cada curso). As lições são complementadas por meio de testes e exercícios formulados com base em princípios pedagógicos que visam a garantir máxima apreensão e retenção do conteúdo - como o método de domínio da aprendizagem (mastery learning), que permite a cada estudante aprender em seu próprio ritmo. Há, ainda, fóruns interativos onde os estudantes podem trocar ideias com outros alunos e receber feedback dos professores, monitorando seu progresso. O elemento social-interativo é o que diferencia o Coursera de iniciativas como a Khan Academy e os consórcios Open Course Ware - esta última adotada no Brasil por instituições como a Unicamp. Nesse tipo de plataforma, o conteúdo acadêmico disponibilizado gratuitamente em vídeo não é complementado com a assistência dos professores.

Conteúdo, não formação

Os termos do site esclarecem que a intenção do Coursera não é a de substituir o ensino formal: os cursos oferecidos não rendem créditos universitários aos estudantes, e apenas alguns podem emitir certificados de participação, conforme o desempenho do aluno.

Porém, resta o debate sobre como essa nova abordagem irá repercutir no sistema de educação a distância em todo o mundo - somente no Brasil, 15% dos universitários estão matriculados em programas de ensino a distância, e as projeções do Ministério da Educação (MEC) é que o sistema atenda a mais de 600 mil alunos até 2014. "O Coursera tem grande potencial. Certamente o oferecimento de conteúdos educacionais online é uma tendência irreversível que trará impactos na educação formal", diz o professor Romero Tori, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e do Centro Universitário Senac e autor do livro Educação sem Distância - As Tecnologias Interativas na Redução de Distâncias em Ensino e Aprendizagem (ed. Senac).

Segundo ele, os pontos fortes desse tipo de iniciativa são a democratização no acesso ao conhecimento - que oferece oportunidades a pessoas de qualquer lugar ou faixa social que desejem aprender de forma autodidata - e a possibilidade dos professores de escolas formais utilizarem o material online como apoio aos cursos presenciais.

Contudo, Tori não crê que o modelo lançado pelo Coursera aponte para um futuro feito de escolas e universidades virtuais e afirma que a substituição dos cursos formais pelas aulas a distância é uma ideia reducionista. "Esses materiais online distribuídos de forma massificada oferecem conteúdos, não formação. Há muito tempo sabemos que os modelos 'conteudistas' e baseados em estímulo-resposta - que são justamente os modelos do Coursera, Khan Academy e outros - são ultrapassados. Não que conteúdos não sejam importantes: o erro está em se parar por aí. A boa educação vai além, com atividades que envolvem construção de conhecimento, aprendizagem por projetos, trabalhos em equipe, sempre supervisionados de perto por professores."

Tori acredita que projetos como o Coursera podem auxiliar na redução da demanda por conteúdo em sala de aula, liberando tempo das aulas presenciais para atividades de construção do conhecimento, além de "desmascarar" profissionais cujo método de ensino é baseado na simples transmissão de conteúdo.

Para José Armando Valente, professor do departamento de Multimeios do Instituto de Artes da Unicamp, as próprias limitações existentes no ensino formal do País dificultam que as vantagens oferecidas por esse sistema, como as atividades de criação coletiva do conhecimento, sejam verificadas na prática. "Hoje, nas salas de aula, não existem tantas possibilidades como nos cursos a distância. Você expõe o conteúdo e o aluno não tem chances de aplicar tudo aquilo que ele está vendo", diz o professor.

Citando o exemplo das aulas de cirurgia médica, o professor ressalta que o sistema não é totalmente adequado a disciplinas de caráter majoritariamente prático, mas diz que, em grande parte das matérias oferecidas atualmente nos cursos a distância, além do conteúdo, há a oportunidade de se desenvolver atividades mais vantajosas do ponto de vista prático por meio das ferramentas interativas do sistema. "É uma grande oportunidade para as pessoas exercitarem o conhecimento", afirma.

Koller e Ng também acreditam que as possibilidades oferecidas pelo virtual podem dar origem a uma nova experiência potencialmente tão rica quanto as aulas tradicionais. Os cursos online, que até agora se baseavam principalmente em vídeos complementares às lições presenciais, têm grande potencial para criar novas experiências de aprendizagem que vão além das aulas tradicionais, defendem os fundadores do Coursera. Eles ressaltam que, em vez de simplesmente assistirem a uma aula, cada vez mais os estudantes podem acessar recursos online que inspiram novos modos de pensar, praticar e interagir com o material e as pessoas, contribuem para melhores resultados no aprendizado.

O projeto ainda está aperfeiçoando os métodos de ensino e atendimento ao aluno, mas as expectativas são de que dezenas de milhões de estudantes assistam às aulas nos próximos cinco anos, fazendo das plataformas online uma ferramenta de estudo não só dos estudantes americanos, mas do mundo inteiro

Terra