domingo, 4 de abril de 2010

Educação, Copa e Rebolation

Duzentos milhões em ação/pra frente, Brasil/salve a seleção... Por mais que estejamos afastados no tempo da euforia setentista dos tempos ditatoriais, a musiquinha de Miguel Gustavo volta sempre, com força total, quando se aproxima o período da copa. Este ano, na longínqua África do Sul, daqui a três meses, mas o país já está pegando fogo. Principal assunto de todas as conversas e das altas preocupações nacionais: Dunga convoca ou não Ronaldinho Gaúcho? Daqui até sair a lista definitiva dos convocados, nenhum outro tema conseguirá rivalizar com questão de elevada importância para o nosso desenvolvimento social e o futuro radioso do país.
Até a mídia cabocla, que se ufana de reverberar a consciência cidadã do nosso povo, não poderia deixar de embarcar nessa onda avassaladora, e cumprir o seu patriótico papel de mobilizar corações e mentes para a grande batalha, que sempre põe em xeque a honra nacional, e ocorrerá em gramado africano.
Por outro lado, sob o manto silencioso do desinteresse e da indiferença nacionais, loucos abnegados se preparam para a Conferência Nacional de Educação, a ser realizada no fim do mês em um certo país chamado Brasil.Tal conferência, entre outras coisas, vai discutir e definir a Lei de Responsabilidade Educacional, que deverá questionar e até punir diretores de escolas, secretários de educação e até o próprio ministro ante os desempenhos pífios da nossa rede pública de ensino. Que tal? Além disso, lutará heroicamente pelo estabelecimento de 10% do PIB nacional destinados à educação, o que é, no mínimo, justo e urgente.
Mas eu tenho certeza, prezado(a) leitor(a), que você dificilmente ouve ou vê essa conversa em horários nobres ou páginas destacadas de nossa mídia, certo? Um caderno especial de um grande periódico, um debate, mesmo que rápido e superficial no Luciano Huck, um Globo Repórter- unzinho que seja- tratando da questão. Nada!

E o “rebolation”, onde entra? Ah! Esse, hoje, faz muito mais sucesso na mídia do que todos os craques e todas as copas.



Jorge Portugal