sábado, 16 de abril de 2011

Campanha de valorização do professor vira piada no Twitter

Uma campanha de valorização do professor, lançada pelo movimento Todos Pela Educação nesta terça-feira (12), acabou virando piada no microblog Twitter. A ideia era que, com a hashtag #1bomprofessormeensinou, os alunos deixassem um depoimento em homenagem ao docente. No entanto, foi o suficiente para o termo parar no topo dos trending topics (assuntos mais comentados) do Brasil com brincadeiras dos internautas.

O usuário @marceloj81, por exemplo, escreveu que “#1bomprofessormeensinou várias coisas, mas esqueci de tudo”. Já @larifelisdoro escreveu: "#1bomprofessormeensinou que casar gasta muito dinheiro então não devemos nos casar". E, segundo @pilehh, “#1bomprofessormeensinou a não fazer hashtags tão grandes assim". Um complemento bastante comum também era “colar na prova”.

A ideia de movimentar o Twitter surgiu durante o lançamento da campanha na manhã desta terça

A assessoria de imprensa do Todos Pela Educação confirmou que iniciou a disseminação da hashtag no Twitter, mas que a ideia era realmente uma homenagem aos docentes.

Valorização do professor

O movimento Todos Pela Educação escolheu como foco do seu trabalho para 2011 a valorização do "bom professor" -aquele que, segundo o Todos, é o que tem foco no aprendizado dos estudantes e contribui para a educação no país. Entre as peças produzidas, estão vídeos para TV, anúncios para jornais e revistas e spots de rádio.

Também para o MEC (Ministério da Educação), o professor precisa ser colocado no centro das atenções. “O Brasil precisa resgatar essa dívida com o magistério brasileiro", disse Fernando Haddad assim que foi confirmado para a pasta na gestão Dilma.

Um dos tópicos que sustenta essa valorização de que tanto se fala é o salário dos docentes. Professor ganha 40% menos que média do trabalhador brasileiro com mesma escolaridade.

Na última quarta-feira (6), o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu, por 8 votos a 1, a validade da Lei do Piso Nacional do Magistério. A lei, que foi sancionada em 2008, determinava o rendimento mínimo por 40h semanais de trabalho para professores da educação básica da rede pública. O valor atual do piso é de R$ 1.187,14, que passa a ser considerado como o "vencimento básico" da categoria, ou seja: gratificações e outros extras não podem contar como parte do piso.

Manutenção da Lei Buarque que cria o Piso Nacional Salarial para os professores da educação de base é um fato histórico para a educação pública brasileira

A manutenção da Lei Buarque que cria o Piso Nacional Salarial para os professores da educação de base é um fato histórico para a educação pública brasileira. E a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 6 de abril, valoriza a educação e os educadores do país.

A Lei do Piso (11.738/08) foi sancionada pelo presidente Lula há dois anos. Cinco governadores entraram com uma ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4167, contestando a Lei Buarque. Porém, o ministro relator Joaquim Barbosa proferiu voto e considerou improcedente a ação contra o piso nacional dos professores da educação de base do Brasil, fazendo valer a Lei Buarque.

O ministro Barbosa foi acompanhado por mais sete ministros. O valor atual do piso é de R$ 1.187,14, que passa a ser considerado como o "vencimento básico" da categoria, ou seja: gratificações e outros extras não podem contar como parte do piso.

O senador Cristovam Buarque ficou muito feliz com a decisão do STF. E declarou: "Nunca tive dúvidas que o Tribunal reconheceria a constitucionalidade. Lamento que por causa de cinco governadores, a lei demorou dois anos para entrar em vigor. Considero que esse é o primeiro passo no Brasil para a federalização da educação de base".

O senador deu entrada no projeto de lei do Piso em março de 2004. "Foram quase dez anos de luta, que valeram o esforço", disse Cristovam. O senador aproveita para agradecer a todos que fizeram esta luta. E disse: "Poucos acreditavam no começo, outros diziam que feria direitos dos Estados, outros que não era justo, ou que diminuiria salários dos professores que já recebem mais do que o piso". Mas alerta: "O Brasil venceu esta, a Educação venceu, mas falta muito, a luta continua".

Agora, o senador Cristovam investe no segundo passo para a revolução na educação no país: "Espero que o Congresso aprove o PLS - Projeto de Lei do Senado 320 que cria a Carreira Nacional do Magistério e já está tramitando desde 2008. Esta criação da Carreira Nacional do Magistério da Educação de Base será a grande revolução na educação". O piso é importante, repete o senador, mas é apenas o primeiro passo.