quinta-feira, 24 de novembro de 2011

MEC vai recorrer de decisão que permite matrícula de crianças menores de 6 anos no ensino fundamental

O Ministério da Educação (MEC) vai recorrer da decisão da Justiça Federal que suspendeu uma resolução que impedia a matrícula de crianças menores de 6 anos no ensino fundamental. Pela regra, estabelecida em 2010 pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão vinculado à pasta, o aluno precisa ter 6 anos completos até 31 de março do ano letivo para ser matriculado no 1° ano do ensino fundamental – caso contrário deverá permanecer na educação infantil.

Segundo o CNE, o objetivo da medida é organizar o ingresso dos alunos no ensino fundamental, já que até então cada rede de ensino fixava uma regra diferente. “ Nós queremos preservar a normalidade dos sistemas de ensino para que eles possam começar o ano letivo de letivo de 2012 organizadamente”, defendeu a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda. As resoluções do CNE não têm força de lei, mas servem de orientação geral para os sistemas públicos e privados de ensino.

De acordo com Pilar, 80% das redes públicas de ensino já respeitam o prazo de 31 de março. A pressão para que crianças menores de 6 anos sejam matrículas no 1° ano do ensino fundamental vem dos estabelecimentos privados. O MEC e o CNE argumentam que a criança pode ser prejudicada se ingressar precocemente no ensino fundamental. A consultoria do MEC deverá se reunir com membros do CNE no início da próxima semana para elaborar o recurso.

“A gente tem que tomar muito cuidado para que essa matrícula não vire uma disputa de mercado. E mais do que isso, que ela impeça a criança de viver plenamente a infância porque irá submetê-la às exigências do ensino fundamental como o rendimento”, disse Pilar.

A professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), Stella Bortoni, disse que a ansiedade das famílias é a principal motivação para que a regra fosse contestada judicialmente. Segundo ela, muitos pais temem que seus filhos fiquem atrasados. “Essa definição de uma idade para o início do ensino fundamental não é exclusividade do Brasil, outros sistemas de ensino como o francês também utilizam. Os estudos da psicologia do desenvolvimento mostram que nessa idade [aos 6 anos] a criança atingiu uma maturidade cognitiva e motora que permitirá que ela se empenhe nas tarefas que levarão à alfabetização”.

Em sua decisão, o juiz Cláudio Kitner defendeu que a competência de cada criança precisa ser avaliada individualmente e a aptidão para o ingresso não pode ser baseada apenas no critério cronológico. Segundo ele, permitir a matrícula a uma criança que completa 6 anos em 31 de março e negar a outra que faz aniversário um mês depois fere o princípio da isonomia.

Segundo Pilar, a escola pode avaliar casos específicos de crianças que já leiam, escrevam e tenham a maturidade necessária para ingressar no ensino fundamental aos 5 anos, mas acredita que esse alunos são exceções. “Em uma rede que tem 52 milhões de alunos como a do Brasil, o CNE não pode legislar para a exceção. Nós trabalhamos com a regra. Saber ler e escrever não são as únicas habilidades necessárias que ela precisa ter. Um aluno de 5 anos pode escrever, mas não saber amarrar o sapato, ir ao banheiro sozinha, isso é parte do desenvolvimento de maturação”.

Para Stella, crianças menores de 6 anos devem ser matriculadas na educação infantil, mas lembra que essa oferta nem sempre está garantida pelo sistema público com as condições de qualidade necessárias. “Os pais acham que a criança vai perder tempo [se não ingressar no ensino fundamental], mas se ela estiver em uma pré-escola de qualidade terá um acompanhamento visando ao seu desenvolvimento cognitivo que só vai ajudá-la no momento em que ela iniciar a alfabetização. Mas para isso é preciso que toda criança tenha oportunidade de ter um bom acompanhamento a partir dos 4 anos”.

Fotos do Projeto de Leitura da Escola Domingos Teotônio 2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Professores completam renda com aulas extras e venda de cosméticos

Depois de trabalhar o dia todo, Elaine vende cosméticos a domicílio para complementar salário de professora.



Acordar cedo, pegar o ônibus lotado e correr de uma escola a outra. Esta é a realidade de muitos professores no Brasil. Os quatro participantes de Conselho de classe não são exceção. Elaine deixa o filho dormindo em casa quando sai de manhã para o trabalho e só volta na hora de botar ele na cama.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Diabetes pode atingir 552 milhões até 2030, diz grupo

A Federação Internacional de Diabetes previu que um em cada dez adultos pode ter diabetes até 2030, segundo as estatísticas mais recentes sobre a doença. Em relatório divulgado nesta segunda-feira, o grupo estima que 552 milhões de pessoas podem ter diabetes nas próximas duas décadas, por questões como o envelhecimento da população e mudanças demográficas. Atualmente, um em cada oito adultos tem diabetes. O estudo é divulgado no Dia da Diabetes, data em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) chama a atenção para a doença.

O número inclui todos os diabetes, bem como os casos não diagnosticados. O grupo espera que o número de casos suba 90% na África. Sem incluir o impacto da crescente obesidade entre as pessoas, a federação diz que seus números são conservadores.

A OMS afirma que há 346 milhões de pessoas com diabetes no mundo. Mais de 80% das mortes relacionadas ao problema ocorrem nos países em desenvolvimento. A agência projeta que as mortes por diabetes irão dobrar até 2030 e afirma que a previsão da Federação Internacional de Diabetes é digna de crédito. "Mas se está correta ou incorreta não podemos dizer", ponderou Gojka Roglic, chefe da unidade de diabetes da OMS.

Roglic disse que a projeção de aumento no número de casos se deve mais ao envelhecimento da população que ao crescente problema da obesidade. A maioria dos casos de diabetes é do tipo 2, o que atinge principalmente pessoas de meia idade e está ligada ao ganho de peso e a um estilo de vida sedentário. Segundo a especialista, um grande número de futuros casos de diabetes pode ser prevenido. "É preocupante porque essas pessoas vão ter uma doença que é séria, debilita e abrevia suas vidas", disse ela. "Mas isso pode não acontecer se nós tomarmos as medidas corretas." As informações são da Associated Press.

Fonte: Agência Estado


sábado, 12 de novembro de 2011

Mães montam acampamento na fila para garantir vaga em creche, no ESPÍRITO SANTO - ES

Elas estão na fila desde quinta e podem ter que esperar até mais de 20 dias. Cartaz informa que matrículas só devem acontecer dia 4 de dezembro.

Elas vieram preparadas: trouxeram barraca, televisão, colchonete. Montaram um verdadeiro acampamento na fila da creche. As mães organizaram até uma lista de espera. A dona de casa Agenira Gomes foi uma das primeiras a chegar. "Decidi ficar na fila desde já para não perder a vaga", afirma.
Geovana de Azevedo conta que tentou uma vaga para o filho, no ano passado e não conseguiu. Por isso, resolveu vir para a fila com antecedência. "Eu trabalho e tenho que pagar alguém para vigiar meu filho quando não estou em casa. Tenho que pagar o transporte, o colégio, assim não dá. Esse ano eu vou ficar na fila para garantir a vaga do meu filho", diz.
O problema é antigo na creche Emiliana Giles Bragança. Ano passado, muitos pais não conseguiram vaga para os filhos, mesmo enfrentando dias na fila.
Mães montam acampamento na fila para garantir vaga em creche, na Grande Vitória (Foto: Bruno Faustino/ TV Gazeta)
Mães montam acampamento na fila para garantir vaga em creche, na Grande Vitória (Foto: Bruno Faustino/ TV Gazeta)

A fila em frente à creche Emiliana Giles Bragança, em Castelo Branco, Cariacica, na Grande Vitória, começou a ser formada na quinta-feira (10). As mães dormiram no local de quinta para sexta e de sexta para sábado. Na grade da escola, há um cartaz informando que as matriculas só serão resolvidas no dia 4 de dezembro, a partir das 8 da manhã.
A Secretaria de Educação de Cariacica informou que o prazo de matrícula na rede municipal ainda não foi definido. Mas as mães estão dispostas a continuar na fila por mais de 20 dias, se for preciso, para garantir a matrícula dos filhos na creche.

g1.

Ciência & Descobertas: Nuvens de gás formadas após surgimento do Universo

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Um grupo de astrônomos descobriu duas nuvens de gás que se formaram após o surgimento do Universo, há 13,7 bilhões de anos, segundo estudos divulgados nesta quinta-feira.

A composição destes gases corresponde exatamente às predições teóricas da cosmologia moderna sobre as origens dos elementos no Universo.

Segundo essa explicação, apenas os elementos leves como o hidrogênio e o hélio foram criados no momento do Big Bang, a teoria mais ampla sobre a origem do Universo. Depois, tiveram de se passar centenas de milhões de anos antes que esse gás primogênio se condensasse para formar estrelas.

Até então, os astrônomos sempre detectaram "metais", um conceito que em astronomia se refere a elementos mais pesados que o hidrogêneo e o hélio.

"Apesar dos importantes esforços para encontrar elementos leves (hidrogênio e hélio) no Universo, não teríamos conseguido isso até esta descoberta", explicou Xavier Prochaska, professor de astronomia e astrofísica da Universidade da Califórnia (oeste dos Estados Unidos) e principal autor do estudo publicado no site da revista americana Science.

"É a primeira vez que observamos gases dos primeiros momentos do Universo que não foram contaminados por elementos mais pesados provenientes das estrelas", explicou.

"A ausência de metais nos indica que este gás é imaculado", completou Michele Fumagalli, outra autora da descoberta.

"É realmente emocionante, já que se trata da primeira prova que confirma plenamente a composição dos primeiros gases formados no início do Universo citada pela teoria do Big Bang", completou.

Os astrônomos descobriram duas nuvens de gás analisando a luz emitida por restos de estrelas longínquas denominadas quasares, com a ajuda de um telescópio do observatório de Keck, no Havaí.

"Pudemos ver também em que lugar do espectro a luz era absorvida pelo gás, o que nos permitiu medir a composição", explicou Fumagalli.

Cada elemento deixa uma marca única no espectro luminoso e esta observação não revelou mais que hidrogênio, segundo os pesquisadores, que afirmaram não ter encontrado rastros de hélio.

Os cientistas destacaram também que poderiam detectar com exatidão a presença de carbono, oxigênio e silício e que estes elementos estavam totalmente ausentes.